Os
deputados que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito da
Assembleia Legislativa estiveram nesta segunda-feira (2) na cidade de
Ponta Porã, onde constataram que um dos
principais problemas enfrentados pela atual gestão em relação à saúde é o
subfinanciamento público ocasionado pela vinda de pacientes do Paraguai
para o Brasil.
O Secretário Municipal de Saúde, Eduardo Santos
Rodrigues, destacou que as unidades hospitalares recebem recursos para
atendimento de 80 mil pessoas, porém o número é muito maior. “Além dos
moradores de Ponta Porã, recebemos pacientes das cidades vizinhas e
principalmente do Paraguai, totalizando um público de aproximadamente
240 mil pessoas. De cada 10 pacientes que atendemos, três são
paraguaios. Cerca de 15% dos recursos da saúde acabam sendo gastos no
atendimento aos paraguaios”, comentou.
Além disso, segundo o
Secretário Municipal de Saúde, Eduardo Santos Rodrigues, assim como
outros municípios, Ponta Porã também sofre com a falta de médicos
especialistas. “Há falta de especialistas em todos os setores,
principalmente por causa da pouca qualificação dos profissionais. Também
sofremos com a falta de UTI’s no hospital, com equipamentos quebrados
que passam por manutenção com certa frequência e com veículos em
condições precárias de uso”, disse.
Por fim, Eduardo Santos
Rodrigues, que também é o Diretor-interino do Hospital Regional de Ponta
Porã, afirmou aos parlamentares que o Pronto Socorro da unidade deve
ser entregue até o final deste ano. “A obra era para ter sido entregue
há quatro anos, mas houve problemas durante a construção do local e a
empresa responsável pelo projeto foi substituída. Já marcamos a data
para a inauguração do prédio. Nos próximos dias estaremos licitando a
construção da UTI no hospital”, finalizou.
Em seguida, os
parlamentares ouviram o ex-Secretário Municipal de Saúde, Josué da Silva
Lopes, o qual destacou que por várias vezes cobrou do Governo do
Estado, responsável pela obra do Hospital Regional de Ponta Porã, mais
agilidade na reforma do local. “Sabíamos que a entrega do Pronto Socorro
iria melhorar a qualidade da saúde no município. A obra era de
responsabilidade do Estado. Nós fizemos o nosso papel, que era cobrá-lo.
Ainda conforme Josué da Silva Lopes, os recursos destinados para a
saúde municipal são insuficientes. “O investimento é pouco para atender
com qualidade a população. Ponta Porã é uma cidade fronteiriça e que
precisa de um tratamento diferenciado por parte da União e do Estado.
Hoje pelo menos 25 mil brasileiros residem no País vizinho e procuram
atendimento médico no Brasil. Para a saúde ser melhor na cidade, é
preciso mais estrutura, mais profissionais e o atendimento
diferenciado”, destacou.
Os parlamentares questionaram Josué
da Silva Lopes sobre aplicação de recursos e de serviços terceirizados
durante a sua gestão, mas ele disse que não se recordava, entre eles do
repasse superior a R$ 3.3 milhões para a empresa SH Informática,
responsável pelas compras da Secretaria Municipal de Saúde e da
Prefeitura Municipal. Diante da situação, os deputados requisitaram uma
série de documentos relacionados a esses valores e serviços.
Para terminar, os parlamentares ouviram a Coordenadora do Conselho
Municipal de Saúde, Estelita Aparecida Ajala e a ex-Coordenadora da
entidade, Nelci Ribeiro de Andrade. Ambas destacaram aos deputados que
muitas das deliberações da entidade não eram colocadas em prática pela
Secretaria Municipal de Saúde. “Falta autonomia do gestor municipal.
Parece que a saúde não é prioridade. Temos pouca estrutura para
trabalhar e fiscalizar o atendimento que é oferecido nas unidades de
saúde na cidade. Muitas vezes solicitamos materiais, mas nunca
recebemos”, esclareceram.
Segundo o deputado estadual Amarildo
Cruz, presidente da CPI Saúde em MS, há problemas de falta de
investimento e de subfinanciamento, mas também de má gestão. “Não
adianta jogar toda a culpa dos problemas da saúde na falta de
investimento e no subfinanciamento. Aqui em Ponta Porã ficou claro uma
má gestão dos recursos públicos também. Com certeza a cidade precisa de
um atendimento diferenciado devido à proximidade com a fronteira. Vamos
colocar essa sugestão no nosso relatório final. Também vamos pedir que o
município passe a ter gestão plena na saúde”, finalizou.
Conforme o relator, deputado estadual Junior Mochi (PMDB), diferente das
demais sedes de microrregião, Ponta Porã tem um agravante que merece
uma atenção diferenciada do poder público: o fato da localização na
fronteira com o Paraguai, tendo uma população expressiva na cidade de
Pedro Juan Caballero que demanda os serviços de saúde do município numa
proporção de aproximadamente 30% dos pacientes atendidos, sem receber
qualquer ressarcimento. “Este fato, além dos problemas comuns às outras
sedes de microrregião, precisa de uma atenção especial para que o
município tenha condições de prestar um serviço de melhor qualidade aos
seus usuários”, falou.
Para o deputado estadual Lauro Davi,
Ponta Porã sofre principalmente com a vinda de Paraguaios para o Brasil.
“A cidade tem vários problemas na saúde, mas o principal é o
subfinanciamento da saúde pública por causa da proximidade de
fronteira”, salientou.
CPI da Saúde em MS
A CPI da
Saúde em MS foi criada no dia 23 de maio deste ano. Os parlamentares
querem saber como estão sendo feitos os repasses dos recursos do Sistema
Único de Saúde (SUS) para unidades hospitalares de Campo Grande,
Corumbá, Paranaíba, Dourados, Três Lagoas, Jardim, Coxim, Aquidauana,
Nova Andradina, Ponta Porã e Naviraí. A investigação apura os repasses e
convênios feitos nesses municípios nos últimos cinco anos.
A
Comissão Parlamentar de Inquérito tem 120 dias para apurar as possíveis
irregularidades, podendo ser prorrogada por mais dois meses. Já foram
ouvidos a ex-secretária estadual de Saúde, Beatriz Dobashi, o secretário
municipal de Saúde de Campo Grande, Ivandro Fonseca, o presidente da
Santa Casa da Capital, Wilson Teslenco, os ex-diretores do Hospital
Universitário, José Carlos Dorsa, o do Hospital Regional de Campo
Grande, Ronaldo Perches Queiroz,o ex-secretário municipal de saúde da
capital, Leandro Mazina, o presidente do Conselho Regional de Medicina
do Estado de Mato Grosso do Sul, Luís Henrique Mascarenhas Moreira, e os
médicos Os médicos Adalberto Siufi e Cláudio Wanderley Saab, ex-diretor
do Hospital do Câncer e o atual diretor-geral do Hospital
Universitário, respectivamente.
Também foram ouvidos pelos
parlamentares os ex-integrantes da Junta Interventora da Santa Casa de
Campo Grande, Antonio Lastória, Nilo Sérgio Laureano Leme e Issan
Moussa, o diretor-presidente do Hospital do Câncer, Carlos Alberto
Moraes Coimbra, e o ex-presidente do Conselho Estadual de Saúde,
Florêncio Garcia, além de gestores e conselheiros municipais de saúde
nas cidades de Dourados, Coxim, Aquidauana, Jardim, Paranaíba, Três
Lagoas, Naviraí e Nova Andradina.
Para ajudar no trabalho de
investigação, os deputados decidiram criar o e-mailcpisaude@al.ms.leg.br
para que as pessoas possam denunciar irregularidades nas unidades
hospitalares. Também foi criada a fan pag CPI da Saúde em MS (https://www.facebook.com/cpidasaudeemms). As pessoas podem assistir as oitivas de Campo Grande ao vivo no link (http://www.al.ms.gov.br/Default.aspx?alias=www.al.ms.gov.br%2Ftvassembleia).
Além disso, no canal de comunicação os internautas podem conferir
matérias sobre os trabalhos da Comissão e reprises das oitivas da CPI da
Saúde em MS realizadas em todo o Estado. Denúncias podem ser feitas
também pelo 0800-647-2013. As reuniões ordinárias acontecem todas as
segundas-feiras, sempre às 14 horas, e as extraordinárias às quintas, no
mesmo horário.
Elas também podem ser assistidas ao vivo pela
Tv Assembleia, em Campo Grande pelo Canal 9, em Dourados pelo Canal 9, e
em Naviraí pelo Canal 44. Todas as oitivas realizadas pela Comissão
Parlamentar de Inquérito podem ser assistidas, ainda, no Youtube, no
canal cpidasaudeemms.
A CPI é composta pelos deputados Amarildo
Cruz - presidente, Lauro Davi (PSB) - vice-presidente, Junior Mochi
(PMDB) - relator, Eduardo Rocha (PMDB) - vice-relator e Onevan de Matos
(PSDB), membro.
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